terça-feira, abril 10, 2007

Delírios

Morro um pouco por dia. De saudades. De inveja. De vontade. Aos sábados, cada raio do sol que brilha lá fora me faz lamentar ainda estar aqui dentro, na cama, quando já são mais de três horas da tarde. Vejo as moças na TV desfilando de biquíni no calçadão da minha praia. E sempre me vem lembranças de olhos verdes abruptamente revelados, beijos de motocicleta, caminhadas noturnas em ruas sem postes de iluminação, brisa do mar e filosofia em troncos de árvore, longas jornadas atrás de uma Coca-Cola em uma noite quente...

É um tipo de raiva, se é que me entendem. Essa angústia toda vai além do verão. Ando sendo o que eu não gostaria de ser em lugares nos quais eu não gostaria de estar. Me chegam uns sorrisos de compaixão seguidos de tapas com a mão aberta na minha face mais frágil. Pedras no caminho que vou guardando pra um dia construir o meu castelo de Pessoa.

O ano que se foi se foi depressa demais. Este veio como alguém que se arrasta por um caminho que não gostaria de trilhar. Em comum: todos os dias iguais, os fins de tarde com a mesma cor, o mesmo sopro noturno a despentear meus cabelos. Uma certa tontura que não se sabe se do álcool ou de alguma outra coisa qualquer. Sono. E tudo gira muito rápido. E não é possível dormir. Alertas, meus dedos errantes entregam todas as minhas verdades.

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