Precisando de uma presença que me inspire pieguices... ou, ao menos, de uma ausência que me inspire um clichê de lágrima que vira letra. Mas tudo o que há é esse maldito meio-termo me anulando.
sábado, outubro 25, 2008
quarta-feira, outubro 08, 2008
Tanto faz
Já não é mais nada. Não é mais a insatisfação do não ter pra onde ir, não é mais a saudade do trânsito caótico ou a vontade de um por do sol invisível da fumaça no horizonte. Não há mais aquela inquietação por outros ares, por outros rumos. Não há mais nada.
Agora, aqui mesmo onde estou, me acomodei. Durmo cedo, acordo tarde, vou a pé, observo sem ânimo o céu alaranjado nos fins de tarde.
Não que me baste. Um pedaço de mim quer ir além das paredes sujas do apartamento e das ruas vazias da cidade. Não, não me basta. Mas que seja...
É como se tudo estivesse se tornando cada vez mais mecanicamente chato e, ainda que eu deseje mais, melhor, acabo me rendendo à trivialidade e deixo que as coisas sejam do jeito que são ou não são. Não importa. Contra-argumentar tem me dado sono. Ainda existem mil Annas, mas pra essa de hoje, de agora, nada importa.
As quinhentas calorias de uma pizza ou três dias sem comer. Preto ou vermelho. Cor? Pfff... Um blues amargo ou um jazz melancólico. Desde que seja triste. Ou não. Lá ou aqui. Hoje ou amanhã. Tanto faz. Existir, só por existir.
Essa Anna de agora é tangível como eu nunca achei que qualquer uma das Annas fosse capaz de ser.
Preguiça de sair da cama, de escovar os dentes, de se vestir ao menos razoavelmente bem, de arrumar os cabelos, de se perfumar.
Trabalho demais e uso isso como desculpa pra não fazer mais nada. Quando há tempo livre, me apego a idiotices pra não ter que lavar a louça, descongelar a geladeira, arrumar a casa, desfazer as malas das minhas viagens de bate e volta, esvaziar as caixas da mudança há dois anos empilhadas na despensa, ler um livro, falar sobre o que sinto pra algum amigo antigo em uma mesa de bar.
Quanto a isso... A verdade é que o que eu sinto agora não é interessante ou relevante. Não, a verdade é que não estou bem certa sobre realmente sentir alguma coisa. É que existe essa história de precisar de reciprocidade, de precisar sentir no outro pra depois sentir em si mesmo. E eu não sinto mais nada nos outros. Em ninguém. O mundo todo anda tão vazio quanto eu.
Então, já não é mais nada, não há mais nada. Nem precisa haver conclusão pra esse esboço inútil de raciocínio.
Agora, aqui mesmo onde estou, me acomodei. Durmo cedo, acordo tarde, vou a pé, observo sem ânimo o céu alaranjado nos fins de tarde.
Não que me baste. Um pedaço de mim quer ir além das paredes sujas do apartamento e das ruas vazias da cidade. Não, não me basta. Mas que seja...
É como se tudo estivesse se tornando cada vez mais mecanicamente chato e, ainda que eu deseje mais, melhor, acabo me rendendo à trivialidade e deixo que as coisas sejam do jeito que são ou não são. Não importa. Contra-argumentar tem me dado sono. Ainda existem mil Annas, mas pra essa de hoje, de agora, nada importa.
As quinhentas calorias de uma pizza ou três dias sem comer. Preto ou vermelho. Cor? Pfff... Um blues amargo ou um jazz melancólico. Desde que seja triste. Ou não. Lá ou aqui. Hoje ou amanhã. Tanto faz. Existir, só por existir.
Essa Anna de agora é tangível como eu nunca achei que qualquer uma das Annas fosse capaz de ser.
Preguiça de sair da cama, de escovar os dentes, de se vestir ao menos razoavelmente bem, de arrumar os cabelos, de se perfumar.
Trabalho demais e uso isso como desculpa pra não fazer mais nada. Quando há tempo livre, me apego a idiotices pra não ter que lavar a louça, descongelar a geladeira, arrumar a casa, desfazer as malas das minhas viagens de bate e volta, esvaziar as caixas da mudança há dois anos empilhadas na despensa, ler um livro, falar sobre o que sinto pra algum amigo antigo em uma mesa de bar.
Quanto a isso... A verdade é que o que eu sinto agora não é interessante ou relevante. Não, a verdade é que não estou bem certa sobre realmente sentir alguma coisa. É que existe essa história de precisar de reciprocidade, de precisar sentir no outro pra depois sentir em si mesmo. E eu não sinto mais nada nos outros. Em ninguém. O mundo todo anda tão vazio quanto eu.
Então, já não é mais nada, não há mais nada. Nem precisa haver conclusão pra esse esboço inútil de raciocínio.
segunda-feira, outubro 06, 2008
Destino?
O vidente falou que ele morreria em algum momento dos próximos três dias. Atordoado, sacou no banco todas as economias que fizera durante dez anos para pagar os estudos de um filho que ele nunca chegaria a ter e comprou uma passagem para Paris, imaginando a Torre Eiffel como derradeira visão.
Horas depois, o vidente, estupefato, ouvia pelo rádio que seu mais recente cliente estava na lista de mortos na queda de um avião comercial.
Horas depois, o vidente, estupefato, ouvia pelo rádio que seu mais recente cliente estava na lista de mortos na queda de um avião comercial.
quinta-feira, outubro 02, 2008
(Not) Busy
Não há tempo. Não há tempo pois tenho tido essa obrigação: de ter idéias mirabolantes, de executá-las perfeitamente, de ser dez em uma e de fazer em oito míseras horas o que, normalmente, me tomaria oitocentas e tantas.
Sim, as palavras continuam vindo como sempre vieram e acho até que tenho uns dois ou três livros de mais de mil páginas guardados em algum canto do meu subconsciente.
Quero dizer, ainda há tempo para divagar, só não há mais tempo para transformar a divagação em letras escritas, bem ou mal alinhadas sobre o papel. E isso... isso costuma doer.
Então, de repente, alguns minutos de silêncio, o telefone desligado e a casa vazia. Mas ao invés de um redemoinho de coisas pra dizer, me vem o nada. Quando, finalmente, parece haver tempo, descubro que me fugiram todas as epifanias, as coisas boas ou ruins que pensei, guardei e pretendia reproduzir.
Subconsciente inacessível. O jeito é voltar para o trabalho...
Sim, as palavras continuam vindo como sempre vieram e acho até que tenho uns dois ou três livros de mais de mil páginas guardados em algum canto do meu subconsciente.
Quero dizer, ainda há tempo para divagar, só não há mais tempo para transformar a divagação em letras escritas, bem ou mal alinhadas sobre o papel. E isso... isso costuma doer.
Então, de repente, alguns minutos de silêncio, o telefone desligado e a casa vazia. Mas ao invés de um redemoinho de coisas pra dizer, me vem o nada. Quando, finalmente, parece haver tempo, descubro que me fugiram todas as epifanias, as coisas boas ou ruins que pensei, guardei e pretendia reproduzir.
Subconsciente inacessível. O jeito é voltar para o trabalho...
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