Não há tempo. Não há tempo pois tenho tido essa obrigação: de ter idéias mirabolantes, de executá-las perfeitamente, de ser dez em uma e de fazer em oito míseras horas o que, normalmente, me tomaria oitocentas e tantas.
Sim, as palavras continuam vindo como sempre vieram e acho até que tenho uns dois ou três livros de mais de mil páginas guardados em algum canto do meu subconsciente.
Quero dizer, ainda há tempo para divagar, só não há mais tempo para transformar a divagação em letras escritas, bem ou mal alinhadas sobre o papel. E isso... isso costuma doer.
Então, de repente, alguns minutos de silêncio, o telefone desligado e a casa vazia. Mas ao invés de um redemoinho de coisas pra dizer, me vem o nada. Quando, finalmente, parece haver tempo, descubro que me fugiram todas as epifanias, as coisas boas ou ruins que pensei, guardei e pretendia reproduzir.
Subconsciente inacessível. O jeito é voltar para o trabalho...
Nenhum comentário:
Postar um comentário