segunda-feira, janeiro 07, 2013

2013

Caio pedindo pra que fosse doce.
Eu não.
Que seja amargo, ácido, que tenha gosto nenhum qualquer.
Ou que seja doce, como quis Caio.
Não importa.
Desde que seja, seja como for.
Desde que não seja você.
Não-você é o meu desejo, minha meta, meu castigo.
Prometo-me a não espera, o não olhar a caixa de correio a cada cinco minutos, o não buscar meus traços pálidos nas tuas linhas sobre o clima, astrologia ou festas de fim de ano.
Que seja vil.
Que seja efêmero e egoísta como você supôs que fosse meu sentimento de ontem.
Que seja um tanto bonito, mas de um jeito não você.
Disfarço tédio com riso. Mas é tédio, não dor. E tédio é lindo. Esse tanto a ser feito e a gente assumindo a preguiça.
Eu.
Que seja real.
O barulho da chuva, fantasma de vento, tiroteio, motor de carro lá embaixo.
Fosse milagre esse negócio de resolução, de folhinha sendo descartada do calendário.
Mas não, eu sei.
Ainda um pouco de ti em tudo, um pouco de tudo em ti.
O ruído.
Só que menos, mais baixo.
Cada dia, hora, minuto.
Que seja rápido.
Ou que seja lento.
Desde que seja, seja como for.