Tremo de frio e de medo e de dúvida. Olho para os lados em uma busca desesperada (e vã, bem sei) de algo que eu possa controlar. Encontro tua imagem borrada e teu silêncio me dizendo que é pra dentro que devo olhar. Tu pensas que há controle pra essa coisa toda. Mas já não há.
Não que tenhamos ido longe demais... Permanecemos sentados à beira do abismo, com medo de pular. Nunca nos permitimos um deslize. Nos observamos de longe e dizemos, só nas entrelinhas, o que não devia, mas tem que ser dito, porque não é possível evitar. Eu sei, tu sabes, mas insistimos em fazer de conta que não, que nunca. E daí o desespero, e o frio e o medo e a dúvida.
Não há controle porque será eterno até que nos permitamos descobrir se é ou não efêmero. Nos perguntamos sobre o como, com todas essas dores se antecipando por trás da interrogação, mas, no fundo, o que nos interessa mesmo é o quando.