"Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram. São imprevisíveis e sua única regra é a inconstância total."
sábado, novembro 14, 2009
quinta-feira, novembro 12, 2009
Novembros
Uma profusão imensa e tão abundante de pensamentos que me força a escancarar pleonasmos e redundâncias.
Mesmo a bagunça sempre teve de ser organizada. Gosto, sempre gostei, de todas as coisas em seu devido lugar, da lógica, da consistência, da coerência. Agora é tudo tão coerentemente inútil e desnecessário e triste que me questiono os princípios.
Você tenta encaixar as peças, tenta fazer as coisas valerem a pena, o sangue, o suor, as lágrimas. Não dá pra ser assim. Você demora pra perceber que não dá pra ser assim, que nem tudo vale a pena. Mas você não admite esforços vãos, você segue cegamente, arrastando correntes invisíveis atadas aos seus tornozelos por quilômetros intermináveis, quebrando e poluindo tudo o que há no seu caminho pra lugar qualquer que você nem sabe se existe.
Aí vem o baque. A vida é frustante, meu bem, é frustrante. E a merda toda reside no fato de que, ao invés de buscar diretamente a felicidade, você ficou o tempo todo buscando artifícios que te levassem a ela. E você nunca aproveitou as chances.
Só depois que tudo está perdido é que você percebe que a culpa é sua, que andou ferrando com tudo, o tempo todo, que foi você que fez as escolhas erradas e infelizes, seguiu caminhos contra a sua vontade, mesmo quando a sua vontade ainda tinha algum valor.
Quando chega o momento em que não é mais possível endireitar as coisas tortas, você começa a tentar. Você se afoga em metas, em planos e projetos, mesmo sabendo que já é tarde demais. Um novo emprego, um novo amor, um novo lar... A verdade é que será sempre mais do mesmo e só.
Envelhecer é difícil. Quanto mais longe você vai, mais longe você fica de tudo o que parece ser bom ou melhor. Então você deseja ficar cada dia mais burro, entender cada vez menos, pra deixar de visualizar tão claramente a falta de sentido de todas as coisas do mundo. Não dá. E essa é a sua desgraça, a minha desgraça, a desgraça geral.
Hoje, cada passo a frente que dou me arrasta por metros para trás. A verdade é que eu não quero ir, eu quero voltar. Mas o que passou, passou. E não importa o quanto eu tente retroceder, eu nunca vou chegar lá.
Acaba comigo essa repetição constante de todas as coisas, de todos os novembros, que são sempre iguais, ano após ano, sempre assustadores e trágicos e cansativos.
Minha alegria tem se resumido às raras ocasiões em que eu constato que ainda tem cerveja na geladeira. Do todo que eu já vivi, dos tempos mambembes, da sensação real de liberdade, não me sobrou nada além de lembranças e nostalgia.
Houve um tempo em que viver era bom e em que eu buscava sempre mais. Diante do hoje, do aqui, do agora, antes nunca tivesse sido assim... Porque o pior de toda essa loucura é ter como comparar e saber o bastante pra poder se arrepender.
Mesmo a bagunça sempre teve de ser organizada. Gosto, sempre gostei, de todas as coisas em seu devido lugar, da lógica, da consistência, da coerência. Agora é tudo tão coerentemente inútil e desnecessário e triste que me questiono os princípios.
Você tenta encaixar as peças, tenta fazer as coisas valerem a pena, o sangue, o suor, as lágrimas. Não dá pra ser assim. Você demora pra perceber que não dá pra ser assim, que nem tudo vale a pena. Mas você não admite esforços vãos, você segue cegamente, arrastando correntes invisíveis atadas aos seus tornozelos por quilômetros intermináveis, quebrando e poluindo tudo o que há no seu caminho pra lugar qualquer que você nem sabe se existe.
Aí vem o baque. A vida é frustante, meu bem, é frustrante. E a merda toda reside no fato de que, ao invés de buscar diretamente a felicidade, você ficou o tempo todo buscando artifícios que te levassem a ela. E você nunca aproveitou as chances.
Só depois que tudo está perdido é que você percebe que a culpa é sua, que andou ferrando com tudo, o tempo todo, que foi você que fez as escolhas erradas e infelizes, seguiu caminhos contra a sua vontade, mesmo quando a sua vontade ainda tinha algum valor.
Quando chega o momento em que não é mais possível endireitar as coisas tortas, você começa a tentar. Você se afoga em metas, em planos e projetos, mesmo sabendo que já é tarde demais. Um novo emprego, um novo amor, um novo lar... A verdade é que será sempre mais do mesmo e só.
Envelhecer é difícil. Quanto mais longe você vai, mais longe você fica de tudo o que parece ser bom ou melhor. Então você deseja ficar cada dia mais burro, entender cada vez menos, pra deixar de visualizar tão claramente a falta de sentido de todas as coisas do mundo. Não dá. E essa é a sua desgraça, a minha desgraça, a desgraça geral.
Hoje, cada passo a frente que dou me arrasta por metros para trás. A verdade é que eu não quero ir, eu quero voltar. Mas o que passou, passou. E não importa o quanto eu tente retroceder, eu nunca vou chegar lá.
Acaba comigo essa repetição constante de todas as coisas, de todos os novembros, que são sempre iguais, ano após ano, sempre assustadores e trágicos e cansativos.
Minha alegria tem se resumido às raras ocasiões em que eu constato que ainda tem cerveja na geladeira. Do todo que eu já vivi, dos tempos mambembes, da sensação real de liberdade, não me sobrou nada além de lembranças e nostalgia.
Houve um tempo em que viver era bom e em que eu buscava sempre mais. Diante do hoje, do aqui, do agora, antes nunca tivesse sido assim... Porque o pior de toda essa loucura é ter como comparar e saber o bastante pra poder se arrepender.
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