domingo, abril 22, 2012

Strangers X Allies

Elevador. Nenhum bom dia, nem um sorriso. Os dois. Vinte e quatro andares e uma hora pra passar por cada um. Não constrange porque são invisíveis um pro outro. Ela aqui, ele longe.

Outra dimensão e a espera. Deixar que o não dito se subentenda... A verdade é que temos nos esforçado para que tudo fique subentendido, ainda que a verdade seja muito, muito clara.

Mundos diferentes. Ela pesca em rios de lava, ele esquenta a comida de ontem no microondas. Ela viaja em dirigíveis, ele permanece no mesmo lugar. Ela diz o óbivo através de referências, ele nada diz.

O que imaginamos. Nossos olhos sem cor diante da possibilidade da possibilidade. Tuas mãos trêmulas segurando meu rosto. Um suspiro. A loucura nos teus, nos meus, lábios. Nossos corpos, um só corpo. Tudo em você despertando em mim os clichês mais detestáveis. E vice-versa.

As coisas que ele não diz, as que ela não faz. Um fim difícil de aceitar. Intempéries que eles tentam ignorar pelo isolamento, mas que não podem ser ignoradas.

Neologismos para amenizar o óbvio, o impacto do inevitável. Esse tanto de coisas que deixamos implícitas em um "adeus" ou "boa noite". E a noite mal começou.

Silêncio. Distância. E só.

Silêncio. Tão longe, tão perto. Tão mais.

quarta-feira, abril 18, 2012

Cycling

Você. Preciso parar de fumar. Essa falta de ar, meu coração acelerado e o moço outro dia me dizendo que isso tudo é perigoso. Uma subida, oh Lord. Você de novo. A irmã sem juízo. A mãe preocupada. Você, rindo da minha incapacidade. Você, fazendo que sim com a cabeça. Você, apertando os lábios como quem diz "é foda mesmo". Força. Vou parar de fumar. Ah, o vento gelado. Malditos carros. Buzina? Buzina? Morra você. Não, não você. Sorrindo, a tonta. Uma cerveja gelada me esperando na geladeira a sete quilômetros, um porteiro lento e cinco lances de escada de distância. E mais você. O sabão em pó que eu não comprei. Você. Meus prazos de amanhã. Você. Segunda-feira na praia. Você. It's kinda creepy. Seus olhos. Seus dedos tortos. Seus sapatos pretos sempre bem engraxados. Sinal fechado e o tiozinho careca cantando em voz alta. Sede, suor, cansaço. Seus atos falhos. O cheiro do seu perfume. O som da sua risada. Imelda May no fone de ouvido. Você. Você. Você. Você. Você...