Inventava tantos personagens, tinha tantas vidas, tantas falsas histórias pra contar, que um dia se perdeu nas próprias mentiras e ficou sem saber quem realmente era. Enlouqueceu.
No dia em que saiu do hospício ela afirmou, com uma certeza assustadora, que o único problema foi não ter inventado uma aparência diferente para cada pessoa que resolveu ser. Todas as suas facetas tinham os mesmos olhos azuis e os mesmos cabelos loiros caídos sobre os ombros. Depois de um certo tempo, os sonhos, desejos e necessidades de cada ser vivo que habitava a sua mente foram se misturando e se confundindo em um único corpo físico, incapaz de sustentar tantas variações de personalidade. E foi por isso, disse ela, só por isso, que enlouqueceu...
Seus amigos andam preocupados, souberam que ela gastou uma fortuna em perucas e maquiagem. Dizem que mudou de cidade, mas ainda mantém sua casa por aqui e, vez ou outra, aparece para molhar as plantas e checar os recados da secretária eletrônica.
sábado, fevereiro 24, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Que seja
- Não vai beber hoje?
- Não posso, to tomando remédio.
- Ah, é mesmo, você já tinha dito. E o que acontece?
- Ele potencializa o efeito do álcool.
- Hum...
- ...
- Que foi?
- Nada, não. Me alcança um copo.
---/---
- Quer um cigarro?
- Não, eu não fumo.
- Pois deveria.
- Eu, hein? Tá maluco?
- Vai morrer de qualquer jeito...
- Ahhh! Sim, claro! Então que seja lenta e dolorosamente.
- ...
- Acende um pra mim, por favor.
- Não posso, to tomando remédio.
- Ah, é mesmo, você já tinha dito. E o que acontece?
- Ele potencializa o efeito do álcool.
- Hum...
- ...
- Que foi?
- Nada, não. Me alcança um copo.
---/---
- Quer um cigarro?
- Não, eu não fumo.
- Pois deveria.
- Eu, hein? Tá maluco?
- Vai morrer de qualquer jeito...
- Ahhh! Sim, claro! Então que seja lenta e dolorosamente.
- ...
- Acende um pra mim, por favor.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
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