domingo, setembro 20, 2009

Caio

"E eu gostava dele, merda, sempre acabava gostando das malditas pessoas e todas as suas loucuras."

domingo, setembro 06, 2009

Enquanto isso, na fila do supermercado

- Ah, mas eu odeio quando me chamam de playboy...
- Porque?
- Porque isso é um rótulo, eu odeio rótulos.
- As pessoas geralmente gostam de rótulos, tipo, grunge, punk, emo, etc...
- Isso é porque são todos uns cuzões que precisam fazer parte de um grupo pra se auto afirmarem e se sentirem confortáveis na sociedade, precisam da sombra de um estilo, gangue, grupo para serem alguém. Playboy não precisa disso.
- Ah não?
- Não, playboy se auto afirma e se sente confortável quando veste o SEU Armani e sai dirigindo o SEU carro do ano, enquanto fala no SEU celular de última geração.
- Tudo presente do papai...
- ...
- ...
- Putz, essa moça do caixa é muito enrolada, meu.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Dos porquês

Primeiro era por causa da utopia, da distância e tudo mais. Cansei.

Agora as coisas parecem estar se tornando reais e se o silêncio continua é por culpa dessa raiva, dessa mágoa, por saber de ti somente pelos outros, por esse falar de mim constante, pelo blá blá blá de não quero perder contato que eu sempre vi impresso junto com tuas letras. Pro inferno com essas amenidades. Tudo sempre foi muito mais intenso do que isso. Não?

Tem também o fato de que não há nada de bom para ser dito. Mas isso não tem importância.

Além do mais, e isso começou quando havia só a utopia e a distância, não quero mais saber de todas essas cartas embrulhadas em papel carbono. Não que eu vá escancarar nossos problemas, nossos segredos, em manchetes de imprensa marrom. Será só aqui mesmo, o fundo cinza, e serei o mais indireta que puder. Só não tolero mais essas manchas negras nos meus dedos, a ansiedade, a sensação de que reside um crime bárbaro em cada tecla da máquina de escrever. Cansei de viver na clandestinidade. Não que eu não possa mudar de idéia. É mesmo uma forma auto-destrutiva de te punir.

Então, as primeiras coisas que tu precisas saber é que sinto raiva, que estou pouco me lixando pro fato de que a raiva que sinto pode parecer injustificada e que não vou gastar meu dinheiro com selos.

Aliás, essas são as únicas coisas que tu precisas saber.

Me disseram que talvez tu venhas e eu sei que eu vou continuar por aqui. Isso me assusta. Isso me estampa um sorriso idiota no rosto. Agora parece que não há mais distância. Há utopia?

Só escreva se for pra fazer um compêndio dessa tua vidinha misteriosa. Esse negócio de estou-com-saudades-manda-notícias já me encheu. É muito fácil não dizer mais nada e esperar. E eu bem sei que tu és mesmo capaz de fazer isso pra sempre.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Voltando...

Que vez ou outra vem uma tempestade destelhar as casas da vila e que precisa mês ou mais de mutirão pra cobrir tudo de novo, pra não mais deixar a água entrar.
Que quando chove fica feio o dia e que em dia de dia feio, as pessoas ficam feias também.
Que nesses dias de chuva as meninas não saem na rua com suas saias rodadas e sandalinhas de couro.
Que a chuva afasta também os moleques da vila que quase sempre estão na rua e só fazem jogar botão valendo dinheiro pra comprar doces na mercearia do Seu Moreira.
Que o Seu Moreira abre a mercearia mesmo quando chove, mesmo sem telhado, mesmos sem o dinheiro do jogo de botão dos moleques, porque ela, a mercearia, funciona vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, exceto aos domingos, das sete às oito, que é hora de missa.
Que a missa fica vazia quando chove.
Que quando chove, a água lava o petit-pavé da calçada e que as botas dos homens que têm que trabalhar com ou sem chuva sujam de barro o petit-pavé recém lavado.
Que Dona Anna morre de medo dos trovões, mas se faz de durona e sorri.
Que o cheiro da chuva só a chuva tem e que é bom adormecer com o ruído das gotas d'água espatifando nas poças que se formam entre os paralelepípedos.
Que mais cedo ou mais tarde a tempestade para e volta a brilhar aquele sol de primavera que deixa o céu alaranjado.
Que a noite, com ou sem chuva, é sempre bonita.
Que alguém uma vez disse que vale a pena viver por essas coisas.

quarta-feira, setembro 02, 2009

De mim, nos outros...

"(...) Creio que a explicação é a seguinte: Acontece frequentemente que as verdadeiras tragédias da vida ocorrem de maneira tão pouco artística, que nos ferem com sua crua violência, sua absoluta incoerência, sua absurda falta de sentido, sua total ausência de estilo. Afetam-nos exatamente como nos afeta a vulgaridade. Dão-nos uma impressão de mera força bruta e contra isto nos revoltamos."

Oscar Wilde: O Retrato de Dorian Gray