Elevador. Nenhum bom dia, nem um sorriso. Os dois. Vinte e quatro andares e uma hora pra passar por cada um. Não constrange porque são invisíveis um pro outro. Ela aqui, ele longe.
Outra dimensão e a espera. Deixar que o não dito se subentenda... A verdade é que temos nos esforçado para que tudo fique subentendido, ainda que a verdade seja muito, muito clara.
Mundos diferentes. Ela pesca em rios de lava, ele esquenta a comida de ontem no microondas. Ela viaja em dirigíveis, ele permanece no mesmo lugar. Ela diz o óbivo através de referências, ele nada diz.
O que imaginamos. Nossos olhos sem cor diante da possibilidade da possibilidade. Tuas mãos trêmulas segurando meu rosto. Um suspiro. A loucura nos teus, nos meus, lábios. Nossos corpos, um só corpo. Tudo em você despertando em mim os clichês mais detestáveis. E vice-versa.
As coisas que ele não diz, as que ela não faz. Um fim difícil de aceitar. Intempéries que eles tentam ignorar pelo isolamento, mas que não podem ser ignoradas.
Neologismos para amenizar o óbvio, o impacto do inevitável. Esse tanto de coisas que deixamos implícitas em um "adeus" ou "boa noite". E a noite mal começou.
Silêncio. Distância. E só.
Silêncio. Tão longe, tão perto. Tão mais.
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