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Preciso te contar, ainda que tu nunca venhas a saber...
É um sonho recorrente. Um prédio largo, não muito alto. Parece o Congresso Nacional, mas não é. Uma vez que espero Luana sair, creio que seja um museu de arte moderna ou algo do gênero. Venta muito. Estou sentada à beira de uma fonte, um chafariz, no meio de uma praça. Impaciente, Luana não sai, decido caminhar sem rumo. Carrego livros, livros demais. Dois ou três passos e um esbarrão. Meus livros vão ao chão. Posso ver Cortázar, DFW e, depois, teu rosto, teus lábios se movendo em um pedido de desculpas. Então, a pressa, "preciso ir, preciso ir". Eu, sonhando, penso que não posso perder a oportunidade e quase imploro por dez minutos do teu tempo para um café. Tu cedes. Caminhamos pela praça. As coisas, então, ficam em câmera lenta. Nossas cabeças baixas, meus cabelos esvoaçantes, teu sorriso nervoso. Acordo, de repente, no meio da noite... com gosto de café na boca e a saudade de você um tanto quanto menor.
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