O cara alto e magro que todo mundo dizia que era gay. Usava o cabelo pro lado, emplastado de laquê. Roupas sempre muito justas e coloridas. Queria ser um estilista de renome e criar modelitos para as estrelas de Hollywood.
A gordinha. Andava sempre de rabo de cavalo e só vestia preto, exceto pelo tênis, de um tom verde musgo meio desbotado. Queria escrever e vender muitos livros e ficar famosa.
A dona de casa que andava pra cima e pra baixo com um lenço azul na cabeça, chinelos de dedo nos pés e a pele das mãos meio comida pelos produtos de limpeza. Sempre rezando baixinho, pelos números da Mega Sena.
O garoto cheio de espinhas. Carregava seu skate de um lado para o outro e quase nunca tomava banho, nem escovava os dentes. Treinava muito pra que um dia pudesse disputar campeonatos internacionais.
A ruiva linda, de corpo escultural e longos cabelos, que nunca deixava de combinar os sapatos com o cinto e com a bolsa e que queria fazer implante de silicone.
Por fim, a velha barriguda, que ameaçava os guris da rua com um rolo de macarrão e usava os cabelos presos em um coque imenso atrás da cabeça. Queria de volta o marido morto e chorava todas as noites até adormecer.
E não havia laços afetivos, nem familiares. Nem sequer havia diálogo. Mas moravam todos juntos, numa mesma casa cheia de cômodos. E dividiam os espaços comuns do recinto, as contas de luz, de água e o aluguel...
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