Bebeu tanto quanto pôde e escreveu cinco ou seis linhas em um guardanapo de papel. Depois chorou e adormeceu. Quando acordou, rodeado por garrafas de rum barato, leu e releu, mais e mais uma vez, tentando entender. Embora a caligrafia ébria fosse quase indecifrável, a letra era sua. Além do mais, exceto pelo gato, estava sozinho desde a quinta-feira. Sabia que era ele que havia escrito, mas não reconhecia aquilo tudo como seu. Pela primeira vez, espectador de si mesmo, percebeu que havia um certo encanto em seus desvarios, que a moça de vermelho era sincera e que as coisas todas podiam vir a ser. Tomou um banho, escovou os dentes, penteou os cabelos, vestiu sua melhor roupa, colocou Nina Simone pra tocar e escreveu-lhe dizendo que estava pronto e que esperava que ela viesse tirar dele as satisfações que merecia.
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