quarta-feira, julho 04, 2007

Oui, bien sûr

Eis que me pisam o calo. Um estranho, rua qualquer da cidade, bermuda de sarja e boina cor de caqui. Pedido apressado de desculpas. Digo que não foi nada. Meus próximos passos são trôpegos, a testa franzida, o canto dos lábios repuxado de dor. E o outro segue despreocupado.

Fui centenas de vezes. Voltei outras tantas. Pintei o cabelo de loiro e as unhas de vermelho. Emprestei livros queridos que nunca mais me voltaram. Deixei de fumar. Decorei a cozinha com peixes. Vendi a cadeira velha que atravancava a sala. Trabalhei até mais tarde em incontáveis sextas-feiras. Comi buchada de bode e bebi caldinho de mocotó. Sim, pois não, é claro, em um minuto.

Perdi no trajeto uns mil dinheiros, alguns suspiros tristes e uma infinidade de vontades próprias. Resignei-me. E ainda hoje, se digo que fico, é sempre para o bem de todos e felicidade geral da nação.

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