Clichê dizer que a vida é feita de escolhas. Verdade, sim, eu sei. Mas de que importa a constatação? Frase feita que os que não entendem nada vivem repetindo pra te fazer pensar que eles entendem tudo.
Começa que os meus problemas são meus. Só meus. Se eu quebro um braço tentando fazer uma acrobacia impossível, sinto a dor, grito a raiva, lamento a estupidez. E é tudo meu. O braço, as lágrimas, o nó atado forte na garganta. Inclusive o gesso.
Não costumo me arrepender. Se o faço, faço longe dos outros. Ocorre que, às vezes, os outros me deduzem arrependida e me atiram clichês precedidos por reticências.
"Ééé... a vida é feita de escolhas". Soa como um "eu sabia que você ia se dar mal". Verborragia. Charlatanismo explícito em previsões do passado, vindo das mesmas criaturas que esquecem o guarda-chuva em dia de tempestade.
Eu pediria que me poupassem, mas sei que em horas como essa a voz só me sai em grito. Calo-me, pois.
Fato que eles têm tanta razão quanto um rato de laboratório. Minha felicidade aumenta a cada dia, em progressão geométrica. E quando choro, se choro, meus olhos ficam mais verdes. Longe de mim esse pessimismo batido. Fazer a escolha errada não é tão mal assim.
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