Eu fico esperando pelo toque estridente do telefone e pela tua voz me acenando do outro lado da linha. Espero você me dizer que vem, que já descobriu meu endereço e que não vai mais dar atenção aos meus protestos, que não importa quantos "nãos" eu te diga, teu carro já está estacionado em frente ao prédio e você até já subiu o primeiro lance de degraus.
Eu fico esperando pelo som dos teus passos no hall, o barulho surdo da campainha, teu rosto como paisagem no olho mágico, teus gritos me ordenando abrir a porta, que você não tem a noite toda pra esperar e já se cansou de todas essas negativas. Espero pelo teu silêncio, pelos abraços todos que você me prometeu, pelo teu sorriso tímido, pelos teus lábios colados aos meus.
Espero pelo arrepio de medo que eu sei que vou sentir quando tuas mãos trêmulas tocarem as minhas, pelas dúvidas tão cheias de certeza que você desperta em mim, pela vontade de fazer o tempo parar, pelo desapego de todo o resto. Espero, ansiosa, por todas as verdades e mentiras que já deixamos de viver.
Espero ouvir você dizer baixinho que o mundo já não gira mais e que agora somos só nos dois e o som abafado da nossa respiração... e as nossas saudades se anulando na eternidade do teu olhar, ainda que saibamos que o que é eterno pode durar apenas o tempo de um só suspiro.
Espero-te, enfim, já sabes. Basta que venhas e me tome em teus braços. Mas vem logo, que ainda que eu não me canse de esperar, já não suporto mais essa distância, a tua ausência consentida e o meu desejo incontrolável de te ter aqui.
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