Ela chegou em uma tarde de domingo, carregando uns cinco ou seis sacos de batatas, porque ele havia lhe dito que gostava de batatas e porque ela, coincidentemente ou não, também gostava.
Foi ficando por ali, na casa dele, porque ele permitiu que ela ficasse, movido pela curiosidade, pela gula irracional e por uma inexplicável afeição pela moça das batatas.
Os dois passavam os dias cuidando das batatas, lavando-as, descascando-as, fatiando-as, ralando-as. Fizeram quichês de batatas, purês de batatas, sopas de batatas, batatas fritas, batatas assadas, batatas gratinadas, batatas sauté, espetinho de batatas, batatas recheadas, saladas de batatas...
Um dia, subitamente, sem dizer palavra, ele deu a entender que estava cansado de comer batatas e que queria que ela fosse embora.
Ela, então, colocou nas costas o último saco de batatas que havia sobrado. E foi.
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