quinta-feira, março 26, 2009

Do moço que escreve, às vezes, como se moça fosse...

Eu me sentei no sofá do bar e abri uma lata de cerveja.

Porque não havia mais nada a fazer passei a contar o tempo na velocidade em que os segundos passam.

E foi só por isso que percebi que, do momento em que me sentei no sofá do bar até o momento em que ele chegou e fez o mesmo, passaram-se exatos novecentos e vinte e três segundos.

Do sofá, da cerveja, dos atrasos, disso tudo... veio nada além do silêncio e de um certo constrangimento.

Lembrei-me, então, sabe-se lá porque, do moço das cartas, que escreve, às vezes, como se moça fosse.

Até que transbordou o silêncio e transbordou o constrangimento. Me levantei, paguei a conta e saí do bar.

Seria diferente se ele tivesse em si um pouco mais do moço que escreve, às vezes, como se moça fosse.

Seria diferente e melhor.

Mas foi o que foi e acabou não sendo nada.

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