domingo, setembro 23, 2007

D

D dorme de toca. Literalmente. E só consegue sobreviver ao resto do dia se tomar um bom banho pela manhã. E isso é mais ou menos noventa por cento de tudo o que eu sei sobre D.

D é distante demais. Na maioria das vezes, fala somente com gestos, ainda que suas palavras ecoem mudas pelo ambiente. Insiste em dirigir-se a mim pelo meu nome completo, com todas as letras, e me faz elogios que, de tão desvelados, ruborizam-me as faces e me fazem sempre repetir que é tudo um exagero.

D tem sonhos que eu desconheço, mas que posso identificar quando percebo o desapego que ele tem das coisas às quais o mundo todo costuma se apegar. D se doa mais do que deveria, como ele mesmo reconhece, e isso acaba por torná-lo ainda mais admirável, ainda que triste. D guarda seu coração em um enorme vidro de conserva.

D não é imagem, é pensamento, é idéia que se forma depois de alguns minutos de silêncio, enquanto ele transmuta todas as nossas primeiras impressões.

D também é gourmet. De mão e boca cheia. E, inclusive por isso, forte candidato a meu padrinho de casamento e a convidado especial de almoços e jantares em meu futuro lar (isso se um dia eu chegar a me casar).

D é daquele tipo de amigo que a mãe da gente sempre gosta. É o clássico "boa gente", ainda que descrevê-lo seja uma tarefa árdua que jamais se resumiria a duas simples palavras genéricas.

D é vermelho. Por dentro e por fora. De um vermelho-vida, que ele transpira por todos os poros. E isso é tudo o que eu posso dizer sobre D.

Nenhum comentário: