Senhor, faça-me a gentileza de morrer. Depressa. Ou serei obrigada a diluir cianureto no cafezinho que a copeira está prestes a te trazer. Já não mais aguento olhar para esta tua cara infausta e o tempo todo saber que tu não passas de um grandessíssimo filho da puta. Tu não tens idéia do quanto me seria fácil perfurar a tua jugular externa com essa caneta. O faria agora mesmo, aproveitando teu pescoço erguido, enquanto tu me fitas de cima com este teu jeito arrogante. Tu mereces, bem sabe. Acabaria por me agradecer. E, vou te dizer, sinto um prazer um tanto quanto mórbido ao imaginar tal cena e divirto-me um pouco com a visão do teu tapete persa manchado com este teu sangue nojento. Já perdi a conta do número de idéias que tive para te matar lenta e dolorosamente. Então, senhor, poupe-me a imaginação e o trabalho e faça-me o favor de morrer. O quanto antes, sim?
2 comentários:
reli todos!
beeeeeeem divertido, inteligente, bom de ler, deveras agradável.
keep on!
Ótimo!Um texto no melhor estilo Edgar Allan Poe diria. Gosto da linguagem seca, permeada de"staccatos", que imprime a teus textos senhorita. Não subestime tua capacidade. Decerto escreves de uma maneira honesta e autêntica - permite-se o"abandono".E sim, notei o trecho de Tabacaria no teu perfil. Coincidentemente aprecio deveras o poeta lusitano. Aliás, embora goste dos poetas Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e Pablo Neruda, os portugueses ainda são os meus prediletos. Florbela Espanca, Camões e Bocage endossam a lista. Enfim...Di'stante(risos)
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