E as coisas todas que ficaram caladas me roubam o ar. Lamento o fato de não sabermos fluir, de nos despencarmos pela correnteza agarrados a pedaços frágeis de lucidez quando deveríamos ser só a loucura.
Fato é que nunca nos soubemos por inteiro. Talvez sejamos apenas reflexos um do outro, sonhos vivos, moldados pela pouca realidade que a gente espera encontrar nas coisas todas da vida. Talvez teu silêncio seja só uma imagem do meu medo. Talvez eu me esquive refletindo tua insegurança. Chego a pensar que nunca existimos, que somos apenas projeções de desejos incertos.
Por outro lado, tu me parece tão real e me imagino parecendo real pra ti e penso que talvez seja esse excesso de verdade a causa de estarmos tão distantes e tão próximos. Eu nunca vou saber. E pra ti, talvez, saber nem importe.
Talvez o grande amor seja apenas isso: um ou dois momentos, constantes efemeridades, dúvidas e entrelinhas pra uma vida toda. Minha consciência de que fomos feitos um pro outro e a resignação diante do nunca.
Talvez, talvez, talvez.
Lucia - Silence
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