Eu me lembro de esticar o corpo pra fora da janela pra tentar ver o movimento das rodas do Landau. Meu pai sempre me puxava pra dentro, que era perigoso, ele dizia, se debruçar assim pra fora do carro. Quando me deixava em casa, ele não entrava no carro pra partir até que eu estivesse pra dentro do portão de vidro jateado, sem poder vê-lo. Eu corria pra dentro do apartamento, no segundo andar, e esticava o corpo pra fora da janela do quarto pra, de novo, tentar ver o movimento das rodas do Landau. Minha mãe sempre me puxava pra dentro, que era perigoso, ela dizia, se debruçar assim pra fora do apartamento.
Me bateu hoje, violentamente, essa inexplicável aflição por nunca ter visto o movimento das rodas do Landau.
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