Um mês ou pouco menos, não sei bem ao certo. Alguma coisa que antes acontecia parou, de repente, de acontecer. Sabe-se lá porque, preciso desesperadamente do estímulo que antes precisava de mim.
Ontem caminhei, espalhando nicotina, pelas ruas do Centro. Hoje comprei caderneta nova e uma caixa de cervejas. Agora procuro uma música que toque, revejo fotos, releio cartas. Nada adianta.
É como se o manobrista do estacionamento tivesse girado a chave geral do Opala que eu não tenho. Tudo parou, o manobrista foi despedido e eu não sei onde fica a alavanca pra fazer as coisas voltarem a funcionar - o que me obriga a usar metáforas estúpidas pra explicar esse vazio de idéias, o que faz com que esse vazio de idéias se torne um amontoado de coisas desnecessariamente ditas.
Essa ausência de extremos e de surpresas. Isso tudo mata alguma coisa em mim. Me questiono se será sempre esse acordar com beijo de bom dia, tomar banho, escovar os dentes, caminhar para o trabalho, trabalhar, controlar as gírias e os palavrões, ouvir os mesmos comentários dos chefes sobre a excelência do meu trabalho e dos estagiários, sobre a loucura que eu, aparentemente, aparento ter, voltar pra casa, pra tela, pra cama. Me pergunto se será sempre essa coisa, esse isso.
Tenho mil respostas, mas todas acabam sempre nos meios, no nada, naquela cara de, grande coisa, eu já sabia.
Prefiro, pois, um atropelo non sense a contar até o fim uma história sem graça nenhuma.
2 comentários:
Quantas leituras gostosas encontrei por aqui, assim sem querer...
Pretendo volgar mais vezes
gostei!
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