"Fora de você não passa tempo nenhum. É incrível. O balé da tarde lá embaixo é em câmera lenta, os movimentos lá em cima de mímicos em geléia azul. Se quisesse você poderia facilmente ficar ali pra sempre, vibrando por dentro tão depressa que flutuaria imóvel no tempo, como uma abelha sobre alguma coisa doce.
(...)
Onde você está agora é calmo e quieto. Vento rádio gritos água esguichando aqui não. Sem tempo e sem som real a não ser seu sangue latejando dentro da sua cabeça.
(...)
Olhe só. Você pode ver a complicação toda, azul, branca, marrom e branca, mergulhada num brilho aquoso de vermelho profundo. Todo mundo. Isso é o que as pessoas chamam de vista. E você sabia que de baixo você não olharia assim tão alto lá em cima. Você agora vê o quanto você está lá em cima. Você sabia que lá de baixo não dava pra dizer.
(...)
O tempo existiu esse tempo todo. Não dá pra matar o tempo com seu coração. Tudo toma tempo. As abelhas têm de se mexer muito depressa pra ficarem paradas.
(...)
Flores de metal se abrem na sua língua. Nenhum tempo mais para pensar. Agora que existe tempo você não tem tempo.
(...)
A mentira é que é uma ou outra. Uma abelha parada, flutuando, está se mexendo mais depressa do que se pode pensar. Lá em cima a doçura a deixa louca.
(...)
Isso é para sempre. Pise na pele e desapareça.
Olá."
David Foster Wallace: Para sempre em cima
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