quarta-feira, abril 16, 2008

Vigilância

Não há silêncio. Quando não a cantoria alucinada, buzinadas nervosas, gritos estridentes de miséria, sempre os passos bêbados, chacoalhar de chaves, lágrimas pesadas tocando o chão. Ou a voz embargada que ouço repetindo meu nome quando escondo a cabeça sob o travesseiro. Não há silêncio.

E também não há escuridão. Se não os holofotes e letreiros luminosos, a luz dos postes ou os raios de sol que rabiscam as paredes do quarto. Se fecho os olhos, me vem esse brilho. Antes cegasse, me ilumina. E não há mesmo jeito de haver escuridão.

Do som, das imagens... os toques, os cheiros, os gostos. A sinestesia, narcotizada, tentando driblar sua insônia crônica. Não se pode mais dormir do lado de cá.

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